Comum, mas não normal
Uma gargalhada, um espirro, um salto com os filhos — e lá vem aquela pequena perda. Muitas mulheres passam anos a usar pensos «por precaução» e a deixar de correr ou de ir ao ginásio, convencidas de que é o preço de ter sido mãe ou de estar a envelhecer.
Perder urina ao fazer esforço tem um nome — incontinência urinária de esforço — e é muito frequente na gravidez, no pós-parto e na menopausa. Mas ser frequente não quer dizer que seja normal, nem que tenha de aceitar. Na maior parte dos casos há muito que se pode fazer, e quanto mais cedo, melhor.
O que pode estar na raiz
As perdas de urina raramente têm uma única causa. Na consulta procuramos perceber o que, no seu corpo, está a contribuir:
- Pavimento pélvico com pouca força ou pouca coordenação. Depois da gravidez e do parto, os músculos que sustentam a bexiga podem ficar mais fracos ou demorar a «responder» no momento certo, quando tosse ou salta.
- Pavimento pélvico tenso demais. Parece contraditório, mas um músculo sempre contraído também não funciona bem: não tem margem para apertar mais quando é preciso.
- Gestão da pressão abdominal. A forma como respira, sustém o ar ao levantar pesos ou empurra a barriga para fora pode aumentar a pressão sobre a bexiga.
- Cicatrizes e tecidos. Uma episiotomia, uma laceração ou uma cesariana podem alterar a mobilidade dos tecidos à volta.
- Postura e mobilidade visceral. A posição da bacia, do tórax e a mobilidade dos órgãos abdominais influenciam a forma como as pressões se distribuem.
- Alterações hormonais. Na menopausa, a descida dos estrogénios torna os tecidos da uretra e da vagina mais finos e menos elásticos.
Como podemos ajudar
A primeira consulta começa por ouvir a sua história: gravidezes, partos, hábitos, desporto, intestino, sono. Segue-se uma avaliação da postura, da respiração e, com o seu consentimento, do pavimento pélvico, para perceber se o músculo precisa de força, de relaxamento ou de coordenação.
A partir daí, a fisioterapia pélvica trabalha o treino muscular orientado — não apenas «fazer Kegel», mas aprender a contrair e a relaxar no momento certo — e a integração no dia a dia: tossir, pegar no bebé, correr. Quando faz sentido, a osteopatia visceral ajuda a melhorar a mobilidade dos tecidos e das cicatrizes. Muitas mulheres sentem melhoria ao fim de algumas semanas, mas cada corpo tem o seu ritmo.
O que pode fazer já
- Expire ao fazer esforço. Ao pegar no bebé ou num saco pesado, solte o ar devagar em vez de suster a respiração.
- Não vá à casa de banho «por precaução». Urinar sem vontade, muitas vezes ao dia, pode habituar a bexiga a pedir mais cedo. Beba água ao longo do dia, sem exagerar.
- Cuide do intestino. A obstipação e o esforço para evacuar sobrecarregam o pavimento pélvico.
Se se identifica com esta página, fale com a Joana. Avaliamos juntas o que o seu corpo está a comunicar.