Comum, mas não normal
Muitas mulheres com endometriose passaram anos a ouvir que «dores menstruais são normais» até terem um diagnóstico. Estima-se que a doença afete cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva — e, ainda assim, continua a ser pouco falada.
A endometriose acontece quando tecido semelhante ao que reveste o interior do útero cresce fora dele: nos ovários, no peritoneu, no intestino, na bexiga. Esse tecido reage às hormonas do ciclo e provoca inflamação, dor e, por vezes, aderências. Pode causar dor menstrual intensa, dor nas relações, dor ao evacuar ou urinar, cansaço e dificuldade em engravidar.
O diagnóstico e o tratamento da endometriose são médicos. O que propomos é complementar: ajudar o seu corpo a lidar com as consequências da doença, lado a lado com o seu ginecologista.
O que pode estar na raiz da dor
Na endometriose, a dor não vem só das lesões. Há outras camadas que se somam — e algumas delas podem ser trabalhadas:
- Pavimento pélvico em defesa. Anos de dor fazem os músculos da bacia contraírem-se de forma permanente, o que acrescenta dor nas relações, na bexiga e no intestino.
- Aderências e mobilidade visceral. A inflamação e as cirurgias podem limitar o movimento dos órgãos e criar zonas de tensão.
- Cicatrizes de laparoscopia. Mesmo pequenas, podem ficar aderentes e sensíveis.
- Intestino. Inchaço, obstipação ou diarreia são frequentes e agravam o desconforto.
- Sistema nervoso sensibilizado. A dor crónica torna o corpo mais reativo; o stress e a falta de sono alimentam o ciclo.
Como podemos ajudar
Na primeira consulta ouvimos a sua história, os exames e os tratamentos que faz, e avaliamos a postura, a respiração, a mobilidade do abdómen e — com o seu consentimento — o pavimento pélvico.
A fisioterapia pélvica pode ajudar a reduzir a tensão muscular e a dor nas relações. A osteopatia visceral trabalha a mobilidade dos tecidos e das cicatrizes, com suavidade. A acupuntura pode ser um complemento para a gestão da dor e do bem-estar geral. Nenhuma destas terapias trata a doença em si, mas muitas mulheres sentem melhoria na qualidade de vida. Se estiver em processo de fertilidade, articulamos com a sua equipa médica.
O que pode fazer já
- Respiração e relaxamento da bacia. Respirações lentas, deixando o períneo descontrair na inspiração, ajudam a quebrar o ciclo dor–tensão.
- Calor e movimento suave nos dias de dor, em vez de imobilidade total.
- Um diário de sintomas. Registar dor, ciclo, intestino e alimentação ajuda nas consultas médicas e a perceber o que a agrava.
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