Comum, mas não normal
Uma dor que vai e vem, ou que nunca vai embora de todo. No fundo da barriga, nas virilhas, no cóccix, no períneo. Já fez análises, ecografias, talvez tenha ouvido que «está tudo bem». E, no entanto, dói.
Fala-se de dor pélvica crónica quando a dor dura há mais de seis meses. É muito mais frequente do que se pensa e afeta o sono, o trabalho, a vida íntima e o humor. Não é imaginação, nem é algo com que tenha simplesmente de aprender a viver.
O que pode estar na raiz
A dor pélvica crónica raramente tem uma só origem. Muitas vezes é a soma de várias:
- Músculos do pavimento pélvico em tensão permanente. Músculos contraídos durante muito tempo tornam-se dolorosos e podem irradiar para a bexiga, o intestino, as costas ou as coxas.
- Mobilidade visceral. Cirurgias, cesarianas, infeções antigas ou endometriose podem criar aderências que limitam o movimento normal dos órgãos.
- Bexiga e intestino. Obstipação, intestino irritável ou bexiga dolorosa andam muitas vezes de mão dada com a dor pélvica.
- Postura, bacia e coluna. Um desequilíbrio da bacia, uma queda sobre o cóccix ou uma gravidez podem alterar a forma como as cargas se distribuem.
- Um sistema nervoso em alerta. Quando a dor dura muito tempo, o sistema nervoso fica mais sensível e passa a «amplificar» os sinais. O stress e o cansaço contribuem.
Como podemos ajudar
Começamos com tempo: a sua história, os exames que já fez, o que agrava e o que alivia. Avaliamos a postura, a respiração, a mobilidade da bacia e do abdómen e, com o seu consentimento, o pavimento pélvico.
A fisioterapia pélvica ajuda a libertar a tensão muscular, a recuperar a coordenação e a dar-lhe ferramentas para o dia a dia. A osteopatia visceral procura devolver mobilidade aos órgãos e às cicatrizes. A acupuntura pode ser um complemento para ajudar a acalmar o sistema nervoso. Este acompanhamento complementa — e não substitui — o seu ginecologista ou médico de família, com quem é importante manter o diálogo.
O que pode fazer já
- Pratique a respiração diafragmática. Cinco minutos por dia, deitada, a deixar a barriga subir na inspiração e o períneo descontrair.
- Use calor. Um saco de água quente na barriga ou no fundo das costas pode aliviar a tensão muscular.
- Mantenha-se em movimento, com suavidade. Caminhar e alongar com calma costumam ajudar mais do que ficar parada.
Se se identifica com esta página, fale com a Joana. Vamos ouvir juntas o que o seu corpo está a comunicar.